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Hi,
hier eine Sachliche und Zutreffende analyse zu dem Debakle Brasil x France
A noite em que só Robinho chorou
Antonio Prada, Direto de Frankfurt
Redação Terra
A Copa acabou. Para o Brasil. Acabaram-se também as retóricas. Felizmente. A Seleção Brasileira preferiu jogar com as palavras do que com a bola. O hino "show é ganhar" foi entoado por Parreira e jogadores como se tivessem encontrado finalmente a fórmula mágica de blindar críticas.
Mas não basta ter convicções. É preciso sustentá-las. Nessa caminhada de 42 dias o carrossel girou muitas vezes, e quase sempre na mesma toada. O time não convencia, mas os discursos internos pisavam de salto alto, de ombros para quem ousasse discordar do coro dos contentes.
No ar ficava a velha máxima de que na hora H tudo seria resolvido pela genialidade dos nossos gênios.
Mas os nossos gênios, desta vez, não saíram da lâmpada.
Curioso esse mundo do futebol. Alguém tem dúvida de que Ronaldinho Gaúcho é um gênio da bola? Por que então ele não jogou nesta Copa? Por que tínhamos um dos ataques mais "fantásticos" dos últimos tempos, também chamado de quadrado mágico, mas o grande destaque da Seleção Brasileira foi a defesa, o miolo dela. Lúcio bateu recorde de ausência de faltas. Dida foi soberbo em todas as partidas.
E, pior, não só no quesito desarme. No jogo contra a França o melhor passador foi Juan. Como? Sim, Juan. Sem opções na saída de bola, a Seleção Brasileira viu no zagueiro seu principal organizador. O jogador do Bayer Leverkusen foi o destaque com 51 passes.
O Brasil chutou apenas duas bolas na direção do gol em 92 minutos. E diga-se de passagem que o criticado Ronaldo, o "baladeiro", com "bolhas" e "gordo", foi um dos poucos que sobreviveu à tormenta nesta competição.
Por que Zidane, esse sim o gênio, indiscutível, bailou sozinho pela partida, correndo como um menino, girando, rodopiando, fazendo a bola flutuar como se ela não existisse e como não existisse adversário?
Parreira tem convicções e não tem arrependimentos. E é bom que não os tenha. Mas as respostas às perguntas do parágrafo anterior podem ser mais simples do que as retóricas que parecem verdades, e que nos acostumamos a digerir.
Sempre se desconfiou nesses últimos quatro anos que o Brasil tinha talentos, mas não tinha um time. E que vencer era inevitável, mesmo sem jogar. Mas como se vence, se classifica e se é primeiro do ranking da Fifa, nos tornamos arrogantes.
Arrogantes para esconder debaixo do tapete erros, prepotências e uma discussão transparente, já que Seleção não é assunto privado, até segunda ordem. O primeiro impacto da derrota sempre é o consenso do coletivo. "Não há culpados". "Eles jogaram melhor". "Demos tudo".
Nas entrelinhas e nos gestos, no entanto, a leitura é mais precisa.
Kaká desabafa e diz que fez o que pôde, mas não pode jogar sozinho. Emerson diz que não jogar foi opção do treinador.
Robinho, o menino Robinho, entra em campo contra a França com um time já combalido, sem rumo. Ele corre o campo todo. Incentiva os companheiros, como um veterano tenta assumir a responsabilidade que está solta. Se desespera, sozinho.
No apito final, também chora. Sozinho.
O resto do time sai, como entrou. Burocrático. Esquece de que deixou a Copa.
Esquece de agradecer a torcida que lota ao menos metade do estádio de Frankfurt. Melhor ir embora. Cuidar da vida.
Como Adriano, que entrou mudo e saiu calado, pelas portas do fundo. Em greve.
O Brasil esqueceu de jogar bola. E de jogar bonito.
Vamos perder também, é inevitável, mas é preferível perder jogando bonito, exatamente como a seleção de 82.
Parafraseando Vinicius, o jogo feio que me desculpe, mas o jogo bonito é fundamental. Que Zidane seja louvado.
"A vida é uma peça de Teatro, que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."
(Charlie Chaplin)
Gruß,
Kalle
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