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19/06/2006 - 21h03
Justiça homologa venda da Varig para a NV Participações
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O juiz da 1ª Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub, anunciou nesta segunda-feira que homologou a venda da Varig para o consórcio NV Participações, liderado pelos trabalhadores da empresa.
"Entendemos que os esclarecimentos foram prestados e que foram apresentadas as garantias financeiras", disse Ayoub a jornalistas, referindo-se às exigências que a Justiça havia feito em relação à proposta de R$ 1 bilhão feita pelo consórcio.
Caio Guatelli/Folha Imagem
Avião da Varig pousa em Congonhas nesta segunda
Ele explicou que o consórcio terá de depositar US$ 75 milhões (cerca de R$ 168,75 milhões) até sexta-feira para concretizar a compra. Caso isso não seja feito, a Justiça decretará que o leilão não teve efeito e decidirá se fará uma nova oferta pública.
O juiz aceitou o pagamento em debentures (instrumento de captação de recursos) após informação do consórcio de que os tÃtulos poderão ser substituÃdos por dinheiro.
"Com o aporte de recursos, começa a segunda fase da recuperação judicial, que é o enfrentamento da dÃvida", disse Ayoub em referência ao passivo de mais de R$ 7 bilhões que ficou separado da Varig Operacional, vendida em leilão.
Logo após o pronunciamento de Ayoub, o presidente da Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), coordenador do consórcio NV Participações, Márcio Marcillac, criticou a decisão judicial por não ter concedido imediatamente a administração da Varig aos empregados.
Marcillac afirmou ainda que, se até sexta-feira os investidores não tiverem tempo suficiente para liberar os recursos, será pedido um empréstimo-ponte ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Ele disse também que os ativos da empresa foram adquiridos sem a obrigatoriedade de manter os vÃnculos com os atuais empregados da Varig, e que, após a compra, serão feitas admissões.
"Não vamos demitir ninguém, vamos admitir. Até porque não compramos nenhum empregado. Agora vamos ver de quantos empregados vamos precisar", disse ele.
Plano de contingência
Marcillac disse que, na manhã de terça-feira, vai tentar negociar com a atual diretoria a implantação de um plano de contingência, que para Marcillac é fundamental para a continuidade das operações da Varig.
"Algumas aeronaves da Varig estão ameaçadas de parar pelas empresas de leasing. Temos de criar um plano de contingência para não prejudicar os consumidores", disse a jornalistas.
Segundo Marcillac, a Varig tem 49 aviões em operação, e o mais seguro será reduzir a frota para 30 aeronaves a partir de terça-feira.
"Teremos 30 aeronaves se não tiver como reverter essa situação com as empresas de leasing", afirmou.
A Justiça dos EUA determinou há duas semanas o arresto de sete aeronaves Boeing, e na semana passada de mais nove aeronaves, a pedido de empresas de leasing locais.
Segundo Marcillac, se esses aviões continuarem operando, os administradores da Varig podem ser presos.
Além da pressão das empresas de leasing internacionais, a Varig tem sido constantemente ameaçada de corte de combustÃvel pela BR Distribuidora, segundo Marcillac, que informou que a fornecedora estendeu até terça-feira o prazo para fornecimento de querosene de aviação para a Varig.
De acordo com o coordenador da TGV, a partir do depósito da primeira parcela do pagamento da Varig, previsto para sexta-feira, o consórcio passa a ser dono dos ativos da empresa e os dois investidores que, segundo ele, também integram o consórcio, serão revelados.
Ele informou ainda que após tomar posse da empresa a diretoria executiva será substituÃda por profissionais de mercado "e não funcionários de carreira da Varig". E que o conselho de administração deverá ser formado por "empresários experientes".
(Por Denise Luna)