Estudo mostra que crianças e adolescentes, de 12 a 18 anos, saíram da área turística (Avenida Beira-Mar e Praia de Iracema) para os terminais de ônibus (Foto: Francisco Viana)
Diagnóstico feito por 15 entidades denuncia que 30% das crianças e adolescentes moradores de rua roubam
Na Capital cearense, 494 crianças e adolescentes fazem das ruas da cidade um lar. O diagnóstico da situação destes meninos e meninas foi realizado ao longo do ano passado pelos educadores sociais de instituições governamentais e não-governamentais.
O relatório elaborado pela Equipe Interinstitucional de Abordagem de Rua, formada por mais de 15 entidades, traçou o perfil dos jovens moradores de rua de Fortaleza. Os resultados de um ano de entrevistas mostrou que 15% vivem perambulando e pedindo esmolas, enquanto 30% roubam, furtam, trabalham e pedem esmolas ao mesmo tempo.
Essa situação acaba gerando um outro dado preocupante: 4% já cumpriram algum tipo de medida sócioeducativa, quer dizer, já passaram por centros de educação por terem cometido atos infracionais. Por outro lado, 29% desses jovens passaram por algum projeto ou unidade em meio aberto, isso significa que já participaram da rede de proteção.
Mudança
O diagnóstico mostra algumas mudanças em relação às conclusões apresentadas com a pesquisa realizada no ano de 2005. A primeira delas é a concentração. Os meninos e meninas saíram da área turística (Avenida Beira-Mar e Praia de Iracema) para os terminais de ônibus. Vinte e seis por cento dos adolescentes ouvidos vivem pelos terminais, enquanto 22% moram nos arredores do litoral da cidade.
A diminuição do número de crianças e adolescentes nas ruas não foi tão significativa, pois em 2005, o relatório registrava 610, o que para os defensores dos direitos deste segmento é um alerta sobre os rumos das políticas públicas.
Eles tem rostos, nomes, origem, usam drogas, são do sexo masculino e, em grande maioria, estão na faixa etária de 12 a 18 anos.
Um dado que permanece o mesmo está relacionado à origem desses moradores: 123 deles são provenientes de bairros da área da Secretaria Executiva Regional V, como Bom Jardim, Canindezinho e Siqueira; uma das áreas de maior carência da Capital cearense.
Mas muitos desses meninos que podem ser encontrados dormindo nas calçadas e bancos de praças de Fortaleza vieram de longe, de outros municípios do Estado. A pesquisa concluiu que 135 crianças e adolescentes vieram de outras cidades. Como destaca a assessora institucional da Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci), Camila Holanda, muitos deles vêm em busca de uma aventura ou de realizar o sonho de conhecer a Capital e acabam não voltando para casa.
Outra realidade preocupante é o uso de drogas. Quase metade dos meninos e meninas entrevistados pelos educadores assumiram usar droga, 43% do total, ou melhor, 455 crianças e adolescentes. Enquanto isso, 33% deles não quiseram responder à pergunta.
No entanto, como frisou Marcos Castro, um dos coordenadores da pesquisa, fica subentendido que esses público que não quis se manifestar é usuário de drogas e se esquiva por conta do medo de serem presos ou apreendidos.
A droga mais consumida continua sendo os solventes, seguida de perto pelo crack, depois o álcool e tabaco e por último a maconha. Para adquirir a droga, muitos deles roubam, furtam ou mesmo pedem esmolas.
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