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26/02/2007 - 19h38m - Atualizado em 26/02/2007 - 23h52m
Obra de hotel não tinha licença de Secretaria de Urbanismo
Polícia abriu inquérito para apurar responsabilidades pelo desabamento.
Gerente do hotel prestou depoimento na noite; duas pessoas morreram no acidente.
DO G1, NO RIO, COM INFORMAÇÕES DA TV GLOBO
A Secretaria municipal de Urbanismo informou em nota oficial que não existe pedido de licença para a realização de obras na marquise do Hotel Canadá, em Copacabana, Zona Sul do Rio. Na manhã desta segunda-feira (26), houve um desabamento que causou a morte de duas pessoas além de ferir outras oito. A secretaria disse também que vai aguardar o resultado da perícia realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que apontará as causas da queda da marquise, para definir as providências e penalidades a serem adotadas.
Queda da marquise de hotel em Copacabana (foto: Carina Goldfarb) - Clique e veja mais imagensO advogado do Hotel Canadá não foi encontrado para comentar a nota da secretaria. O assessor da presidência do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Gilberto Filizola, apareceu no local do acidente para acompanhar a retirada de escombros junto com Defesa Civil e a Secretaria municipal de Obras.
Filizola explicou que a punição por causa do acidente pode ser aplicada apenas para o engenheiro responsável pela reforma. Filizola também disse que pessoas em cima da marquise não causariam peso suficiente para derrubá-la. Segundo o assessor do Crea-RJ, para este tipo de obra, é necessário apenas as anotações de responsabilidade técnica junto ao conselho.
A polícia abriu inquérito para apurar as responsabilidades pelo desabamento da marquise. O gerente do hotel, Francisco da Chagas de Souza, prestou depoimento no início da noite junto com seu advogado, Ely Machado. No depoimento, o gerente disse que a obra começou em setembro de 2006 e a empresa que foi contratada para fazer as obras teria ficado com a responsabilidade de providenciar as autorizações para a reforma.
Segundo Monique Vidal, delegada responsável pela investigação do acidente, nesta terça será enviado um ofício para os órgãos técnicos responsáveis pela fiscalização e também pela concessão de licenças de obras. A delegada ainda aguarda o resultado da perícia do ICCE e informou que já fez contato com a empresa, mas o responsável pela obra está viajando. De acordo com a delegada, os responsáveis poderão responder por desabamento culposo com agravantes por causa dos dois homicídios.
As vítimas
Os feridos começaram a ser atendidos na calçada do hotel, antes mesmo da chegada dos bombeiros. A queda da marquise do Hotel Canadá deixou oito pessoas feridas e duas mortes. Bombeiros de três batalhões trabalharam no resgate das vítimas.
Os corpos de duas mulheres, que morreram soterradas, foram levados para o Instituto Médico Legal. Parentes contaram que Maria Isabel Cardoso, de 80 anos, voltava de uma seção de fisioterapia, quando sofreu o acidente. Ela estava acompanhada de uma outra mulher, identificada apenas como Simone. Maria Isabel nasceu no Rio Grande do Norte e morava em Copacabana há mais de 30 anos.
Oito feridos foram internados no Hospital Miguel Couto, no Leblon. Três deles receberam alta no final da tarde desta segunda. Cecília Muniz Fernandes, de 71 anos, estava hospedada no hotel desde quarta-feira (21). “Eu ia entrando e quando eu ouvi o barulho eu já estava lá dentro. Eu não consegui ver mais nada”, disse.
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