Pés que servem de travesseiro e consolo. Meninos de rua dormem em grupo em área nobre de Fortaleza
A cena que salta aos olhos e comove é um flagrante registrado pela fotógrafa Silvana Tarelho, do Diário do Nordeste. Apopulação fortalezense convive há anos com situações semelhantes em diferentes pontos da cidade, a exemplo dos terminais da Lagoa, do Siqueira e no Centro.
A estimativa é que 494 crianças e adolescentes estiveram em situação de rua em 2006, conforme dados da Equipe Interinstitucional de Abordagem de Rua, com 12 entidades da sociedade civil, Prefeitura e Governo do Estado. Em relação a 2005, houve queda de 116 meninos de rua abrigados ou que retomaram vínculo familiar.
Mas, o que faz uma criança ir para a rua? O fator principal é a miséria absoluta da família, que vive em beiras de rio, em barracos. A desagregação familiar é outro ponto que pesa, incluindo maus-tratos, violência física, sexual ou psicológica, como a verbalização de que a criança deve sair de casa.
As drogas em geral entram depois, sendo um fator que contribui para a permanência na rua, seja para enganar a fome ou para manter a criança e o adolescente acordado, com medo de ser agredido por policiais ou estranhos.
“Eles escolhem lugares movimentados porque facilita a aquisição de alimentos, pequenos furtos e comercialização de drogas”, explica Auristélio Barreto de Almeida, coordenador do Programa Ponto de Encontro, da Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci).
De acordo com o técnico, são realizado, em média, 420 atendimentos mensais - 297 são meninos e 123 meninas. O programa é a ampliação do Da Rua para a Cidadania, que aumentou de 20 para 73 os educadores sociais. Eles abordam as crianças e adolescentes para descobrir informações como endereço, nome dos familiares. Mas quase sempre os meninos mentem ou omitem os dados.
“Nossa proposta é respeitar o direito de escolha, que pode ser o de continuar na rua. Deixamos claro que o primeiro passo para uma vida autônoma e de cidadania deve ser deles. É fácil levar para o abrigo, mas depois eles podem voltar para a rua”, diz o coordenador.
Para abrigá-los, a Prefeitura de Fortaleza conta com dois abrigos e seis outros conveniados cujas vagas são custeadas em 50% pelo Governo municipal, além de uma bolsa de R$ 350,00 para o abrigado. Atualmente 124 crianças e adolescentes se dividem entre abrigos do Município (23) e conveniados (101).
Dado o primeiro passo, a Funci trabalha com linguagens artísticas fortalecendo a auto-estima. Os familiares das crianças e adolescentes são engajadas em projetos de geração de renda e ganham uma bolsa para manterem-se nos projetos.
Já a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado (STDS) desenvolve o programa Fora da Rua Dentro da Escola, com 90 educadores de rua, popularmente chamados “amarelinhos”. Alguns meninos preferem o albergue do Estado para banho e passar a noite e voltam à rua.
Segundo Liliana Teófilo Lima, gerente da Célula de Proteção Social Especial da STDS, há 50 atendimentos diários em semáforos, Beira-Mar e BRs. Além de cinco abrigos estaduais e seis conveniados, hoje com 333 abrigados.
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