Hoje, dia em que Fortaleza faz 281 anos, o Diário do Nordeste mostra como o cidadão vê e sente a cidade
Fortaleza é uma cidade cada vez mais ´compartimentada´ no que diz respeito ao seu desenho espacial. Dessa maneira, podem ser visualizadas várias cidades. E esse novo desenho espacial de múltiplas cidades, acaba refletindo naquela simbólica, construÃda no imaginário dos seus habitantes. Ou seja, a relação que Fortaleza desperta nos seus moradores para que se sintam inseridos, pertencentes à quele espaço.
A fragmentação espacial, associado ao descaso para com elas, no sentido de que não têm acesso aos bens e serviços produzidos no espaço urbano, as pessoas perdem o sentimento de pertença. ´Como se identificar com uma cidade sem esgotamento sanitário, saúde, educação?´, indaga o arquiteto Renato Pequeno, professor do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Observatório das Metrópoles núcleo de Fortaleza.
Na sua opinião, o sentimento de pertencimento surge, justamente, a partir da criação de vÃnculos. A escola deve estar próxima, inserida com o seu lugar, com a sua comunidade. ´Qual é a situação da escola pública no momento?´.
A pergunta é estendida para outros setores como a situação do bairro, da saúde ofertada, do trabalho e da segurança. ´As pessoas estão perdendo esses vÃnculos e terminam por não mais estabelecer relação de pertencimento com o seu lugar´, ressalta.
Hoje, a própria noção de comunidade é posta em xeque. Cita as crises em relação aos movimentos sociais e à polÃtica. ´As pessoas não mais se sentem representadas nessas lideranças´. Tudo isso afeta diretamente a identidade de cada pessoa. Elas precisam ser bem tratadas para manter essa relação de pertença com o seu meio.
A convivência de forma integral na cidade pode parecer uma utopia. Mas o arquiteto garante ser possÃvel reverter e amenizar esse quadro de desigualdade e utilizando as leis que regem o urbanismo.
Como redistribuir riquezas para as áreas carentes. Só que é preciso organização. ´Não é possÃvel ver nesses processos de planejamento possibilidade de se chegar a um consenso´, critica, citando a discussão em torno do novo Plano Diretor. ´A cidade não é vista como um todo, mas pontualmente´.
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