Prazo dado pela Procuradoria da República no Ceará é considerado pequeno por barraqueiros e pescadores
O Ministério Público Federal está dando um prazo de 60 dias para Prefeitura e o Governo do Estado apresentarem um plano de trabalho, com metas, para despoluir a orla de Fortaleza. A notícia foi bem recebida por pescadores, barraqueiros e representantes do trade turístico da Capital cearense, que se colocam à disposição para colaborar.
Porém, eles acreditam que o tempo é curto para as soluções serem colocadas em prática, uma vez que nunca, na história da cidade, houve a preocupação com a constante manutenção das fontes poluidoras, como redes de esgoto clandestinas e galerias pluviais que levam muita sujeira para as praias, especialmente em período de intensas chuvas.
O problema já havia sido retratado em reportagens recentes do Diário do Nordeste, publicadas no mês passado e em 1º de abril deste ano.
Para José Guilherme de Sousa, tesoureiro da Colônia de Pescadores Z-8, o prazo de 60 dias não será cumprido. “Todo serviço público tem burocracia que atrapalha o andamento dos projetos. E faz muitos anos que eu ouço dizer que as praias são impróprias para banho”, diz.
O pescador lembra que entre os problemas mais comuns enfrentados pela categoria, em decorrência da poluição das praias estão as doenças de pele, muito mais do que o reumatismo, outra complicação que afeta vários pescadores.
Já o presidente da Associação dos Barraqueiros da Beira Mar (Abbmar), Pedro Carlos da Fonseca, tem sentido que as melhorias estão chegando, ainda que a passos lentos. De oito anos para cá, ele já percebe que as galerias pluviais que passam entre a Feirinha da Avenida Beira-Mar e a Praia do Náutico secam quando não chove. O que não acontecia antes.
A expectativa de Fonseca é que os moradores do entorno deixem de fazer ligações clandestinas de esgoto. Quanto aos barraqueiros, ele vêm coletando cerca 90% das cascas de coco, vidros e lata, enviadas para reciclagem no Jangurussu.
“A orla é nosso cartão de visitas. É bom ter boa balneabilidade urbana o tempo todo para os turistas, que geram renda para nossa população”, diz.
Fátima Queiroz, presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, lembra que a limpeza da orla é esperada há muitos anos e que será um benefício não só para turistas como à população local. “O prazo é curto, mas estamos à disposição para contribuir com este esforço”, pontua.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-CE), Manoel Cardoso Linhares, a despoluição é fundamental. “Quase 80% dos hotéis ficam na orla da Beira-Mar. Tenho certeza que todos os estabelecimentos têm interesse em firmar parcerias para que o turista passe mais tempo na cidade, podendo tomar banho de mar próximo de seus hotéis, sem ter que ficar se deslocando, o tempo todo, para fazer isso”.
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