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Also SWK hat die Sache getroffen. So stehts auch in den Wörtbüchern
Heute kann man Xexeiro zumindest in Ceará quasi als Synonym zu Caloteiro gebrauchen.
hier ein kleiner Text für den der die Geduld hat ihn zu lesen
"Ao longe, em brancas praias embaladas
Pelas ondas azuis dos verdes mares,
A Fortaleza – a loura desposada
Do sol, dormita à sombra dos palmares"
(Paula Nei: Fortaleza)
Quem se dispusesse a empreender uma caminhada matinal ou vespertina pelas ruas centrais de Fortaleza no inÃcio da década de 1960, e repetisse o mesmo percurso por volta das nove da noite, certamente não acreditaria que estivesse a desfilar pelos mesmos lugares. Durante o dia, nas ruas Sena Madureira, General Bezerril, Floriano Peixoto, Major Facundo e Barão do Rio Branco, as atividades comerciais e bancárias, exuberavam À noite, também, só que a mercadoria era outra. Seria como se se estivesse a percorrer as vielas da antiga Lapa, no Rio de Janeiro, ou o atual Bairro da Luz Vermelha, em Amsterdã. Ou seja, estavam saturadas de supermercados do sexo, ou "pensões". Com a única diferença de que ainda não se expunham mulheres em vitrines. Não diria "como se fossem legÃtimas mercadorias" porque, de fato, era isto mesmo o que elas representavam, mas como se fossem muambas, contrabando, bagulho. Quase todas as "pensões" se situavam no primeiro pavimento de um prédio antigo de alvenaria, mas havia algumas ao rés do chão. Os nomes das "empresas" ainda hoje dominam o imaginário dos jovens daquela época: "Fascinação", "Estrela", "Bar da Alegria", "América", "Santa", "Zé Tatá", "Guarani", a lista era tão grande quanto o "sortimento" dos "hipermercados" e a freqüência da clientela - quase toda constituÃda por homens da classe média e funcionários públicos em dia de pagamento. Na rua Barão do Rio Branco se concentravam mais "pensões" por metro quadrado, do que em contracheques de recalcitrantes divorciados.
Quem consultasse o "Aurélio", naquela mesma época, a palavra "xexeiro" não seria encontrada. Atualmente já se pode ler o verbete que traz a seguinte definição: "Diz-se de, ou indivÃduo que passa calote ou xexo". Só que o autor esqueceu de acrescentar: "em prostitutas". Segundo esta definição do dicionarista carioca, modificada por quem está escrevendo isto, Alberto Barbosa era um xexeiro exÃmio. Ele não se limitava a utilizar as suas habilidades xexeiristas apenas em proveito próprio, como também, algumas vezes, as empregava - mediante uma módica quantia proporcional ao montante do valor do xexo – para socorrer amigos, também xexeiros, mas não tão bem sucedidos em seus xexos quanto ele. Benedito Eleutério era um destes xexeiros amadores que costumavam sublocar os serviços profissionais do xexeiro Barbosa. Em 1962, mais precisamente na noite do dia da partida final da Copa do Mundo entre Brasil e Tchecoslováquia, as "pensões" lembravam o Grande Bazar de Istambul, tão intenso era o trânsito e as transações comerciais. "Barbosa, não tenho um puto, mas estou em tempo de trepar nas calças, tu me ajudarias?" "Claro, Bené, contanto que no dia do teu pagamento me pagues os dez por cento de praxe". Foi na "Fascinação". Bené usou e abusou do seu direito de consumidor. Quando se deu por satisfeito, vestiu-se e disse à mulher: "Não tenho um puto!" "O quê, seu viado? Olha o que eu tenho pra ti!" E sacou de dentro duma gaveta uma navalha muito mais afiada do que a lâmina da guilhotina de Sanson – o carrasco sádico da Revolução Francesa. "Vou fazer postas da tua cara e botar pros meus cachorros comerem". "Me acode, Barbosa, a puta quer me retalhar!" Barbosa não precisou de nada além de jogar seu corpo contra a portinhola de madeira do cubÃculo e já entrou portando na mão direita um cinturão cuja fivela – de metal – pesava mais do que todas aquelas que os Ãdolos do iê, iê, iê somados, usavam naquela época. A primeira fivelada foi na cara da favelada, digo, da desgraçada, que soltou a navalha e pôs-se a chorar de ódio e de dor. Mas a crueldade do Barbosa não parou por aÃ. Aplicou-lhe mais umas dez chibatadas e saiu em desabalada correria juntamente com o Bené.
Quem não está habituado à pronúncia das palavras francesas dificilmente iria entender o desfecho da historieta que se conta a seguir, pois deve ignorar que naquele idioma, a letra "R" isoladamente, quando inserida entre duas vogais, não soaria como em Português, mas sim, como se estivesse escrita em dose dupla. Do mesmo modo, quando eventualmente algum gaulês ou gaulesa aportava terras lusófonas, propendia a falar "encarrar", no lugar de encarar; "baterria", em vez de bateria; "amérrica", ao invés de América. Não raras vezes, isto resultava numa confusão do caRRalho"! Os clientes das "pensões" desta heráldica cidade de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção tinham hábitos pachorrentos. Não se contentavam em descarregar os seus humores o mais rápido possÃvel, como sói acontecer acima da linha do Equador. Sendo assim, as preliminares constituÃam rituais quase litúrgicos. Descalçar-se e despir-se, por exemplo, eram tão essenciais quanto uma excelente função erétil. Pois certo dia aportou uma profissional francesa em terras alencarinas. As "audiências" eram marcadas com vários dias de antecedência e nunca ultrapassavam o tempo máximo de cinco minutos. Um comerciante famoso estava na lista de espera. No preciso dia de sua entrevista estava lá. Chegou antes da hora aprazada com receio de perder a vaga. Havia uma atendente que chamava os clientes como num consultório médico. "Senhor Comercildo Mercado Feijão!" "Pronto!" Quando o Comercildo entrou, mesmo antes de cumprimentar a prestadora dos seus serviços, sentou na cama e pôs-se a tirar os sapatos. Esta se insinuou entre a cama e a toalete, pôs as mãos nos quadris, e com ar de quem não deixa dúvida de quem dá as cartas, encarou o Comercildo e falou em alto e bom som: "VAIS MORRAR, VAIS?"
Abraçõs Bruzundanga
Com as palavras todo cuidado é pouco, mudam de opinião como as pessoas. (J. Saramago)
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