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Grafia Iguassu divide opiniões na Câmara
Elson Marques
O projeto 65/2005 que altera a grafia do nome da cidade foi lido em plenário na sessão de anteontem e encaminhado para as comissões permanentes da Câmara. A iniciativa do vereador Djalma Pastorello (PSDB) propõe que Iguaçu passe a ser escrito com “ss”. Dessa forma, a denominação do município passaria a ter a grafia alterada para Foz do Iguassu. Para ser aprovada, a proposta precisa dos pareceres favoráveis das comissões de Legislação e Justiça e de Educação, mas as opiniões estão divididas.
O vereador apresenta uma série de argumentos para promover a mudança. Um deles enfoca que por ser um dos maiores pólos turísticos do Brasil, com atrações reconhecidas internacionalmente, Foz precisa facilitar o entendimento para o turista. “Há uma grande dificuldade para os povos de outros países que comumente substituem o “ç” por “ss”, tendo em vista que o “ç” é um símbolo gráfico de uso quase que exclusivo do Brasil.
Ele reforça que no espanhol também não se usa o “ç”, como ainda não se usa no alemão, italiano, etc. “Não é difícil imaginar a dificuldade que tal fato causa a jornalistas, editores, agências de viagens, promotores de vendas e todos aqueles que atuam na divulgação de nossa cidade.” Outra facilidade, de acordo com o vereador, seria em relação à internet, onde o “ç” não é aplicado em endereços eletrônicos.
Um dos pontos fortes do projeto é o resgate da história. “É importante frisar que Foz do Iguassu era escrita desta maneira até a década de 40, conforme se verifica em documentos oficiais. A alteração para Iguaçu ocorreu em virtude do acordo celebrado entre a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa, criando o novo “Vocabulário Ortográfico e Ortoépico da Língua Portuguesa”, publicado em 1932. Como se trata de nome próprio e, especialmente pela necessidade de seu uso internacionalmente, é possível o retorno à ortografia original, visando especialmente o resgate histórico do Município.”
Opiniões
O professor Sérgio de Oliveira (PMDB), da Comissão de Educação, considera que não haveria necessidade de mexer na grafia do nome da cidade. Anunciou que vai solicitar posicionamento das escolas, onde professores e diretores vão poder opinar. “A comissão fará isso antes de emitir o seu parecer. Consideramos fundamental ouvir os profissionais da educação sobre esse tema.”
Oliveira afirmou que não pensa muito na questão da internet porque em breve o “ç” não será mais empecilho. “Resta algo importante a ser debatido, que é o resgate histórico da cidade. Tenho receio do impacto que isso poderá causar em vários setores como nas empresas com alteração em notas fiscais. Tem ainda a questão dos endereços e dos papéis oficiais. Toda mudança provoca reação”, avaliou.
O vereador Geraldo Martins (PT), da Comissão de Legislação, Justiça e Redação, também está atendo-se à questão educacional. “Faço parte da comunidade escolar de Três Lagoas e não concordo com a mudança. Pelo menos ainda não estou convencido de que deva mudar. A mudança vai criar problemas nas escolas porque a grafia correta é como se escreve atualmente. Uma alteração fere regras da própria Língua Portuguesa.”
Necessidade
O presidente da Casa, Carlos Budel (PTB), pensa diferente e defende o projeto com muita convicção. “Em primeiro lugar se trata de um resgate da memória de Foz. Vamos inaugurar na próxima semana o espaço histórico na Câmara e as pessoas vão ter acesso à documentação antiga onde a grafia era Iguassu, com dois esses.”
O segundo fator que justifica a necessidade dessa alteração, na opinião de Budel, é que Foz do Iguaçu é conhecida pelo mundo afora com dois esses. “No inglês a grafia foi definida assim, e dessa forma que a cidade é conhecida. Não vejo nenhum empecilho em adotar essa mudança, além de que vai facilitar o acesso pela internet. Portanto, é uma questão histórica que por si só comprova a viabilidade do projeto e também uma questão de marketing para uma cidade turística.”
Já o vereador Tadeu Madeira (PSB) considera que a alteração trará dificuldades para diversos setores. “Pode haver problemas para documentação e denominação de empresas. É claro que vai atender turistas que se comunicam pela internet ou correspondência, mas acredito que o nome deva ser mantido na grafia atual.”
Autor: A Gazeta do Iguaçu
http://www.cmfi.pr.gov.br/noticiasdetalhes.php?p2=194