Kleine Nachricht zum Thema, naja, es betrifft aber vornehmlich Rio:
Zitat:
Se todos fossem iguais a você...
Em Copacabana, um mini-Tolerância Zero tornou o bairro mais seguro. Essa é a solução?
Nelito Fernandes
FORA DAS CALÇADAS
Desde o fim de abril, 263 moradores de rua foram retirados de Copacabana. No mesmo período, a taxa de assaltos a turistas caiu 59%
No primeiro trimestre do ano, o número de roubos em todo o Rio de Janeiro subiu 30% na comparação com 2006. No mês de maio, a guerra entre policiais e traficantes na região da Vila Cruzeiro e no conjunto de favelas do Alemão, na zona norte da cidade, deixou 17 mortos e 56 feridos. Em um período de 24 horas, entre os dias 29 e 30, pelo menos 11 pessoas foram atingidas por balas perdidas. Enquanto isso, em Copacabana, o cenário era outro: a queda no total de assaltos a turistas foi de 59%. Os roubos em geral caíram 32%. Por trás disso há um mutirão de ordenamento urbano chamado CopaBacana, implantado no dia 19 de abril graças a uma parceria entre a Prefeitura e o governo do Estado.
A “faxina” no bairro começou com um mapeamento das áreas críticas. Depois, guardas municipais recolheram 263 moradores de rua, que foram levados a albergues. Sete mendigos tiveram mandado de prisão expedido. Mais de 90 menores infratores foram detidos. Prostitutas foram conduzidas à delegacia. Entre elas, a polícia descobriu cinco menores. Como prostituir-se, em si, não é crime, foi adotada uma estratégia para controlar a atividade: agentes vão fotografar os carros dos possíveis clientes. A medida, polêmica, é defendida como uma proteção às garotas de programa. “Se uma delas sofrer violência no encontro, saberemos quem freqüenta o lugar e poderemos investigar”, diz o coordenador do projeto, o subsecretário estadual de Governo Rodrigo Bethlem.
O CopaBacana é uma espécie de Tolerância Zero, o programa que reduziu o crime em Nova York. Segue a “teoria da janela quebrada”, nascida do seguinte experimento feito por especialistas em segurança nos Estados Unidos: dois carros idênticos foram abandonados numa rua, um deles com o vidro quebrado. Em poucos dias, o carro danificado foi depenado, enquanto o outro nem sequer foi tocado pelos bandidos. Conclusão: o crime se alimenta da desordem. “O clima de vale-tudo é um incentivo à criminalidade. A melhoria da ordem urbana acaba tendo reflexo imediato nos índices de segurança”, diz Bethlem.
Em Copacabana, a polícia conta com a ajuda dos moradores. Um número de telefone foi criado para que qualquer pessoa possa denunciar criminosos anonimamente. As informações passadas já ajudaram a fechar bocas de fumo. Na Vila Cruzeiro, os moradores não têm uma linha direta para denunciar a ação de traficantes ou abusos da polícia.
Apesar do sucesso aparente, o CopaBacana não é uma unanimidade. Para o sociólogo Ignacio Cano, especialista em violência, operações como essa são autoritárias e antidemocráticas. “Ninguém está na rua porque quer, mas por necessidade. Em breve, os mendigos voltam e será preciso fazer tudo de novo”, diz ele. Governo e Prefeitura já anunciaram que vão manter o CopaBacana e estendê-lo a outros bairros do Rio, como Lapa e Barra da Tijuca. Será uma chance para o carioca saber se as melhorias estão sendo feitas para os turistas ou para quem vive na cidade.
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