Rocha impediu que o ônibus despencasse em um abismo com mais de 100 metros de altura, na Serra da Ibiapaba
Tianguá. O ônibus de placa BYG-0369, de Teresina (PI), que havia saído da cidade Maracaçunã (MA) domingo, despencou em um abismo na Serra da Ibiapaba, por volta das três horas da madrugada de ontem. No ônibus estavam 43 passageiros, 11 morreram na hora (entre eles uma mulher grávida) e 32 foram encaminhados ao Hospital Maternidade Madalena Nunes, em Tianguá, e à Santa Casa de Misericórdia, em Sobral, alguns em estado grave. A tragédia não foi maior porque o veículo parou sobre uma rocha, que impediu a descida ao abismo de mais de 100 metros, onde já estão quatro caminhões.
O fato ocorreu no quilômetro 304, na localidade de Pilões, a cerca de dez quilômetros de Tianguá. Os passageiros eram ‘sacoleiros’ dos estados do Maranhão e Piauí que planejavam chegar hoje à cidade de Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco.
Perícia
O laudo das causas do acidente estará pronto em um mês. Mas, de acordo com sobreviventes, todos os indícios apontam para má conservação do veículo e negligência aos cuidados com segurança. No depoimento de Zilmar de Moura Macedo, quando ainda estavam no Maranhão, dois urubus atingiram o pára-brisa direito do ônibus, causando o estilhaçamento e queda total. Segundo ele, o motorista teria chegado até o Ceará guiando o veículo com um capacete na cabeça, para se proteger da ventania. “O vidro ficou pendurado um tempo e depois caiu total. Essa viagem estava estranha, o ônibus estava dando muito solavanco, parecia sem suspensão”. A vítima relatou, ainda, que na entrada de Tianguá os motorista conferiram “as bolsas de ar da suspensão, que estavam secas, e isolaram como deu”.
Na operação que durou praticamente o dia inteiro, Corpo de Bombeiros, polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal trabalharam na resgate das vítimas e, no fim da tarde, no guinchamento do ônibus que, nessa hora, partiu-se ao meio. No local do acidente não foi encontrada a lista de passageiros, nem a documentação do veículo. O capitão Valberto de Oliveira Melo, acredita que deva ser da década de 70. “Quando chegamos, por volta das quatro horas, três crianças e uma senhora estavam em cima das janelas do ônibus, capotado no penhasco, beirando o abismo”.
O diretor do Instituto Médico Legal de Sobral, Joaquim Guimarães Neto, terminou a necrópsia nos 11 corpos às 17 horas. Até o fechamento desta edição, apenas os nomes de Antônia Leopoldina Alves, Rosângela Clara Rodrigues e Ranier Machado Borges, haviam sido confirmados como mortos.
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