20 de julho de 2006 - 19:09
Varig suspenderá todos os vôos, exceto RJ e SP
SÃO PAULO - A Varig suspenderá temporariamente, a partir de hoje, 23 dos 25 destinos que vinha operando até esta semana. Com a decisão, a Varig pára de voar a partir de hoje para as 11 cidades que ainda servia no exterior e também para 12 das 14 cidades brasileiras nas quais atuava. Restarão apenas os vôos entre Rio e São Paulo, que estão sendo ampliados de dez para 36 diários.
O enxugamento estratégico da malha da Varig foi comunicado hoje, no inÃcio da noite. A nota informa que a ampliação da oferta na Ponte Aérea mostra "que os novos controladores querem voltar a oferecer mais opções de horários a seus passageiros" e que isso permitirá à empresa "rapidamente retomar seu crescimento e rentabilidade". Segundo a empresa, a partir do dia 28 as demais rotas, domésticas e internacionais, "serão retomadas gradativamente".
O serviço oferecido pela Varig na Ponte Aérea estava fragilizado nos últimos meses pela falta de aviões disponÃveis para operar e pela falta de capacidade de investir em serviços e marketing. Com o encolhimento, a empresa resolve momentaneamente o problema da restrição de frota. Hoje, segundo fontes da empresa, a companhia operou com 12 aviões. Para realizar os vôos agora previstos na ponte, seriam necessários somente de três a quatro jatos, calculam analistas.
Rotas canceladas
Com o plano divulgado hoje, a Varig deixa de voar no exterior para Miami, Nova York, Frankfurt, Londres, Buenos Aires, Lima, Santa Cruz, Santiago do Chile, Caracas, Aruba e Copenhagen. Já dentro do Brasil, deixam de ser servidas as cidades de Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus, Foz do Iguaçu, Curitiba, Porto Alegre, Fernando de Noronha, Florianópolis, Natal e BrasÃlia. Com os problemas de frota, a empresa já vinha reduzindo vôos.
No dia 21 de junho, entrou em vigor a última malha da empresa aérea, que, naquele momento, reduzia em praticamente 60% sua oferta de vôos. Até meados do mês passado, a Varig voava para 61 cidades - 36 no Brasil e 25 no exterior -, total que diminuiu para as 25 que vinham sendo atendidas. Naquele corte, saiu do mapa dos serviços da companhia alguns destinos tradicionais, como Paris, Lisboa e Milão.
Participação no mercado
Como efeito do encolhimento da frota e da malha aérea, o peso da Varig no mercado doméstico minguou. A empresa, que fechou o mês de junho com 10,5% de participação, chegou a meados de julho com não mais do que 4,9%, conforme estimativa do especialista Paulo Roberto Bittencourt Sampaio. Estima-se que a Varig já seja menor no mercado doméstico do que a soma da OceanAir com a BRA. No setor internacional, houve também recuo: a Varig, que teve 78% do tráfego internacional feito pelas empresas nacionais, despencou para 53,8%.
Nova diretoria
Uma fonte que acompanha de perto o dia a dia da empresa, conta que até o fim da tarde de hoje a perspectiva era de que a Varig deveria parar de operar totalmente durante três ou quatro dias, tempo que seria usado para definições internas e estruturação da nova operação, o que acabou não se confirmando. A partir de então, a empresa voltaria às operações com uma nova malha inicial. Também circularam nomes de executivos que deverão compor a nova diretoria da empresa aérea, sob o controle da VarigLog.
Outra fonte informou que piloto John Long, ex-diretor da Rio Sul, deverá ocupar a diretoria operacional da nova empresa. Já o atual diretor de planejamento da empresa, Luiz André Patrão, deverá permanecer no cargo. Alguns executivos da companhia, contudo, não deverão permanecer na empresa.
Pelo menos um dos cargos vagos de vice-presidente, da parte operacional, deverá sair dos quadros de uma empresa da Audi Helicópteros, empresa de um dos acionistas da Volo Brasil, a controladora da VarigLog. Outra expectativa é de que semana que vem seja publicado uma espécie de edital com o nome dos funcionários que permanecerão na nova Varig.
http://www.estadao.com.br/ultimas/e.../jul/20/286.htm