AURÉLIO hat geschrieben:
você
[De vosmecê < vossemecê < Vossa Mercê.]
Pronome de tratamento.
1.Em certas partes de Portugal, ainda indica respeito, prendendo-se, semanticamente, ao Vossa Mercê originário, como já se deu (porém, cremos, bem pouco) no Brasil. Veja-se este exemplo, onde o autor (morto em 1896) começa:
“Ex. Sr. e meu jovem amigo.”, e escreve adiante: “V. é ainda muito novo” (João de Deus, Prosas, p. 117). E mais: “Minha ilustre senhora.”, terminando assim a carta: “Peço desculpa a V. destas escusadas reflexões, e sempre às suas ordens.” (Id., ib., pp. 124-125.) Poderiam acrescentar-se muitas outras abonações, de autores de hoje.
2.Tratamento íntimo entre iguais, ou de superior para inferior:
“— Estou velha para casamento. | — Assim, você me acabrunha: sou da sua idade e ainda me acredito moço.” (Mário Sete, Senhora de Engenho, p. 180); “— Homem, você não acaba mais? bradou de repente o solicitador [a um seu empregado].” (Machado de Assis, Várias Histórias, p. 44).
3.Dos fins da 1a metade do século XX para cá, tratamento dado (no Brasil, pelo menos) por filho, neto, sobrinho, etc., ao pai, avô, tio, etc., mas que ainda não excluiu o emprego de o senhor:
“— Mamãe, acho que tem uma moça chamando você lá embaixo...” (Aníbal M. Machado, Histórias Reunidas, p. 257.)
4.Tratamento dado, hoje em dia, geralmente no singular, em anún-cios de jornais, e por locutores de rádio e televisão, artistas de teatro, etc., a leitores, ouvintes e espectadores. [A palavra você apresenta numerosas var. e f. paralelas, na maioria brasileiras: vassuncê, vossemecê, vosmecê, vancê, voncê, vacê, ancê, acê, ocê, cê, cecê. Chegam talvez a 30 as f. derivadas de Vossa Mercê. Cf. vocês, seu1, tu.]